segunda-feira, 19 de outubro de 2015
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Jornal i#38 O verdadeiro intento do PAN
Ontem, para o i,
"Enquanto alguns se
babam por um governo comunista e aquela “coisa” de António Costa e outros se
afligem, muito prontamente, com engano de um apresentador de telejornal
esquecemos o facto mais importante das últimas eleições: o PAN elegeu um
deputado! Esqueça o radicalismo do BE e do PCP em relação à NATO e ao Euro e
desengane-se: o PAN não é só um fervoroso defensor das árvores e dos bichinhos,
o que até se compreende como estratégia de afirmação política; o seu verdadeiro
intento é “transformar a mentalidade e a
sociedade portuguesa e contribuir para a transformação do mundo de acordo com
os fundamentais valores éticos e ambientais”. Ficará cumprido o sonho de
qualquer candidata a miss universo?
Depois de quatro anos
de grandes amarguras para os portugueses, 74.752 votaram num partido cujo “desígnio maior” é “defender o ambiente em que estamos”, segundo o deputado eleito.
Mas, pondo de parte os direitos da natureza e dos animais, esquecendo,
portanto, que o direito é produzido pelos homens e para os homens, que é um
produto cultural emanado dessa propriedade específica do homem, o programa
eleitoral do PAN é rico em propostas como a inclusão dos animais no agregado
familiar, distribuir gratuitamente copos menstruais em consultas de
planeamento familiar para diminuir a poluição e o desperdício de recursos (p.
45), implementar o sistema de partilha de horas diárias entre o vitelo e a
progenitora (p. 33) e, num rasgo de autoritarismo ou marxismo animal como já
lhe vi chamar, regulamentar melhor e de uma forma mais restrita a publicidade
alusiva a produtos não saudáveis ou com impactos negativos na saúde (p. 52).
As preocupações com o
ambiente são absolutamente legítimas. O problema é quando isso se converte numa
bandeira ideológica e num radicalismo holístico do ambientalismo tradicional
que impede o debate construtivo sobre o tema – o que, infelizmente, acontece
com os partidários da deep ecology, à
semelhança do lobby da ideologia do género para o qual, afinal, interessam as
diferenças entre “ele” e “ela” e não apenas a felicidade do individuo, como
ficamos a saber com o episódio Quintanilha."
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Jornal i #37 O individualismo cru de Jonathan Frazen
A
leitura da segunda parte de “Purity”, de Jonathan Frazen, um relato sobre a
juventude de Andreas Wolf intitulado “A República do Mau Gosto”, provocou-me um
déjà vu literário que começa em Nabokov, passa por Kundera, Dostoievski e
termina de forma triunfal em Mário Vargas Llosa. No relato, Wolf apresenta
características comuns, por exemplo, às personagens de “Bend Sinister” ou “The
Unbearable Lightnes of Being”, críticas do projeto socialista, ou d’ “Os
Cadernos de D. Rigoberto”, de Vargas Llosa.
Andreas,
jovem habitante da República Democrática Alemã, um predador natural, como é
insinuado pelo seu emblemático apelido à la Dickens, personaliza uma das
críticas de Purity ao comunismo: a sua tentativa de negação de um “lobo”
na Humanidade, de um jovem que constrói a sua individualidade, ainda que
censurável, que pensa e age por conta própria, sem “pensar no coletivo”, sem
suprimir os seus “desejos egoístas” (e, diga-se, excessivamente carnais) e, por
isso, sem colocar à frente os “objetivos do coletivo”.
Em “Purity”
subjaz inequivocamente uma ideia de individualismo exacerbado, cru e
violento, porventura compreensível como antídoto contra a nefasta experiência
coletivista de que Wolf é vítima. Ainda assim, quando percebemos que, num mundo
pós 1989, Wolf é um foragido, apesar de famoso pelas suas provocações, talvez
Frazen nos queira dizer que, ainda hoje o mundo é um espaço hostil à
individualidade, que é fonte de valor para si mesma, nesta vida que se
consulta, se costura, surda, sonora, insana, entre um prefácio e um
colofão.
Ontem, para o jornal i.
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