sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Agustina

«Eu não me levo muito a sério. É a melhor maneira de viver. Aquele que se leva a sério está sempre numa situação de inferioridade perante a vida.» 

(Agustina Bessa-Luís faz hoje 93 anos.)


Via Facebook.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

"Ao imaginar os pais sozinhos neste lugar numa tarde de domingo, sem o filho, em conversa esparsa e quase inaudível, naquele jeito de casal de velhos, sentiu o coração aproximar-se perigosamente da compaixão"

Purity, Jonathan Franzen, p. 108

Jornal i#38 O verdadeiro intento do PAN

Ontem, para o i, 

"Enquanto alguns se babam por um governo comunista e aquela “coisa” de António Costa e outros se afligem, muito prontamente, com engano de um apresentador de telejornal esquecemos o facto mais importante das últimas eleições: o PAN elegeu um deputado! Esqueça o radicalismo do BE e do PCP em relação à NATO e ao Euro e desengane-se: o PAN não é só um fervoroso defensor das árvores e dos bichinhos, o que até se compreende como estratégia de afirmação política; o seu verdadeiro intento é “transformar a mentalidade e a sociedade portuguesa e contribuir para a transformação do mundo de acordo com os fundamentais valores éticos e ambientais”. Ficará cumprido o sonho de qualquer candidata a miss universo?

Depois de quatro anos de grandes amarguras para os portugueses, 74.752 votaram num partido cujo “desígnio maior” é “defender o ambiente em que estamos”, segundo o deputado eleito. Mas, pondo de parte os direitos da natureza e dos animais, esquecendo, portanto, que o direito é produzido pelos homens e para os homens, que é um produto cultural emanado dessa propriedade específica do homem, o programa eleitoral do PAN é rico em propostas como a inclusão dos animais no agregado familiar, distribuir gratuitamente  copos menstruais em consultas de planeamento familiar para diminuir a poluição e o desperdício de recursos (p. 45), implementar o sistema de partilha de horas diárias entre o vitelo e a progenitora (p. 33) e, num rasgo de autoritarismo ou marxismo animal como já lhe vi chamar, regulamentar melhor e de uma forma mais restrita a publicidade alusiva a produtos não saudáveis ou com impactos negativos na saúde (p. 52).

As preocupações com o ambiente são absolutamente legítimas. O problema é quando isso se converte numa bandeira ideológica e num radicalismo holístico do ambientalismo tradicional que impede o debate construtivo sobre o tema – o que, infelizmente, acontece com os partidários da deep ecology, à semelhança do lobby da ideologia do género para o qual, afinal, interessam as diferenças entre “ele” e “ela” e não apenas a felicidade do individuo, como ficamos a saber com o episódio Quintanilha."


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Jornal i #37 O individualismo cru de Jonathan Frazen


Andreas, jovem habitante da República Democrática Alemã, um predador natural, como é insinuado pelo seu emblemático apelido à la Dickens, personaliza uma das críticas de Purity ao comunismo: a sua tentativa de negação de um “lobo” na Humanidade, de um jovem que constrói a sua individualidade, ainda que censurável, que pensa e age por conta própria, sem “pensar no coletivo”, sem suprimir os seus “desejos egoístas” (e, diga-se, excessivamente carnais) e, por isso, sem colocar à frente os “objetivos do coletivo”. 


Em “Purity” subjaz inequivocamente uma ideia de individualismo exacerbado, cru e violento, porventura compreensível como antídoto contra a nefasta experiência coletivista de que Wolf é vítima. Ainda assim, quando percebemos que, num mundo pós 1989, Wolf é um foragido, apesar de famoso pelas suas provocações, talvez Frazen nos queira dizer que, ainda hoje o mundo é um espaço hostil à individualidade, que é fonte de valor para si mesma, nesta vida que se consulta, se costura, surda, sonora, insana, entre um prefácio e um colofão. 

Ontem, para o jornal i.