terça-feira, 20 de outubro de 2015

grandes momentos Downton Abbey



1ª Temporada, episódio 4.

Jornal i# 39 - Quatro razões, mais uma, para Cavaco não nomear Costa


"1.   Desde logo, jurídico-constitucionalmente, o Presidente da República (PR), tem legitimidade democrática direta, é um órgão com poderes próprios, com funções de direção política, podendo exercê-las com liberdade política ainda que dentro dos limites do n.º 1 do artigo 187.º da CRP;

2.   A declaração do PR depois da audiência a Passos Coelho afasta todas as propostas revolucionárias (NATO, Euro) que formam a matriz identitária do BE e do PCP. O PR sabe que para Jerónimo e Catarina Martins, o PS antes das eleições era um partido de direita, foi com base nesse “trunfo” que fizeram campanha e foi essa acusação que foi sufragada pelos portugueses;

3.   António Costa (AC) deixou claro que as negociações à esquerda correm melhor que as à direita. Contudo, estas negociações não são para a formação de um governo de esquerda (algo que não é aceite dentro do próprio PS e mesmo no BE e no PCP) mas para permitir que o PS, que elegeu menos deputados (86)  que o PSD (89) e, claro está, que a PàF (107), forme governo com o acordo parlamentar do BE e do  PCP. Ora, o PR não pode nomear AC para Primeiro Ministro, neste cenário, justamente porque o tal limite do artigo 187.º, n.º 1 da Constituição são os “resultados eleitorais” que, como é sabido, deram a vitória à Coligação;

4.   Com um governo minoritário PSD/CDS, não é garantido que o programa de governo e o orçamento chumbem, por existir um artigozinho na Constituição onde se lê “os Deputados exercem livremente o seu mandato” e não faltam exemplos de deputados desalinhados com a orientação da direção parlamentar na nossa história constitucional;

5. Por último fica o argumento-argumento: muitos idealizam a vida política nacional como uma réplica da série “Borgen”. Tal poderia não ser totalmente desajustado da realidade se não estivéssemos a falar de AC. Infelizmente, AC apresenta mais similaridades com a personagem principal da série “House of Cards” e a forma como se descartou de José Seguro é prova disso. E, na vida real, ninguém quer um Francis Underwood no poder."
Hoje, para o i.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Agustina

«Eu não me levo muito a sério. É a melhor maneira de viver. Aquele que se leva a sério está sempre numa situação de inferioridade perante a vida.» 

(Agustina Bessa-Luís faz hoje 93 anos.)


Via Facebook.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

"Ao imaginar os pais sozinhos neste lugar numa tarde de domingo, sem o filho, em conversa esparsa e quase inaudível, naquele jeito de casal de velhos, sentiu o coração aproximar-se perigosamente da compaixão"

Purity, Jonathan Franzen, p. 108

Jornal i#38 O verdadeiro intento do PAN

Ontem, para o i, 

"Enquanto alguns se babam por um governo comunista e aquela “coisa” de António Costa e outros se afligem, muito prontamente, com engano de um apresentador de telejornal esquecemos o facto mais importante das últimas eleições: o PAN elegeu um deputado! Esqueça o radicalismo do BE e do PCP em relação à NATO e ao Euro e desengane-se: o PAN não é só um fervoroso defensor das árvores e dos bichinhos, o que até se compreende como estratégia de afirmação política; o seu verdadeiro intento é “transformar a mentalidade e a sociedade portuguesa e contribuir para a transformação do mundo de acordo com os fundamentais valores éticos e ambientais”. Ficará cumprido o sonho de qualquer candidata a miss universo?

Depois de quatro anos de grandes amarguras para os portugueses, 74.752 votaram num partido cujo “desígnio maior” é “defender o ambiente em que estamos”, segundo o deputado eleito. Mas, pondo de parte os direitos da natureza e dos animais, esquecendo, portanto, que o direito é produzido pelos homens e para os homens, que é um produto cultural emanado dessa propriedade específica do homem, o programa eleitoral do PAN é rico em propostas como a inclusão dos animais no agregado familiar, distribuir gratuitamente  copos menstruais em consultas de planeamento familiar para diminuir a poluição e o desperdício de recursos (p. 45), implementar o sistema de partilha de horas diárias entre o vitelo e a progenitora (p. 33) e, num rasgo de autoritarismo ou marxismo animal como já lhe vi chamar, regulamentar melhor e de uma forma mais restrita a publicidade alusiva a produtos não saudáveis ou com impactos negativos na saúde (p. 52).

As preocupações com o ambiente são absolutamente legítimas. O problema é quando isso se converte numa bandeira ideológica e num radicalismo holístico do ambientalismo tradicional que impede o debate construtivo sobre o tema – o que, infelizmente, acontece com os partidários da deep ecology, à semelhança do lobby da ideologia do género para o qual, afinal, interessam as diferenças entre “ele” e “ela” e não apenas a felicidade do individuo, como ficamos a saber com o episódio Quintanilha."