terça-feira, 8 de março de 2016
segunda-feira, 7 de março de 2016
quarta-feira, 2 de março de 2016
Jornal i # 55 - Três descobertas científicas da esquerda
Ontem, para o i,
Na última semana descobrimos que o neoliberalismo engorda e que as desigualdades sociais provocam fraturas na anca. Estas duas bestiais descobertas, muitíssimo científicas, permitem-nos, por exemplo, medir com um grau de exatidão elevado, preciso, o nível de neoliberalismo no sangue dos nossos governantes. Por exemplo: comparando a elegância de Passos Coelho com as gordurazitas de António Costa, ficamos certos que o último, digamos, mais anafadinho, é, a olhos vistos, o mais neoliberal. Mas não só: elas atestam também a ineficácia do nosso Estado social, cada vez mais amplo, mais prestacional, mas incapaz de cobrir a dorzita na anca.
E por falar em prestações, o ministro Vieira da Silva, criatura normalmente sóbria e sombria, adiantou no parlamento mais uma descoberta científica, de forma colossal e triunfante, sobre a bancada do PSD: “Os senhores perderam as eleições!” Assim se vê a qualidade da “metodologia” científica da geringonça.
Mas a grande descoberta cientifica da semana veio do Bloco que, para comemorar a vitória de mais uma causa fraturante, divulgou um cartaz onde se lê “Jesus também tinha dois pais”. Não bastou aprovar a legislação em causa nos órgãos democráticos, muito menos comemorar com uma garrafa de espumante e respetivo caviar: era preciso chocar. Pois é, mas se eu fosse um dos beneficiados da conquista celebrada não iria gostar de ser objeto de comparação com uma figura que foi perseguida, capturada, torturada e assassinada por ter ideias menos “próprias” para a altura. Aliás, Miguel Vale de Almeida manifestou reprovação. Talvez fosse mais apropriado para o efeito pretendido usar o lema “a geringonça também tem dois pais”. E, já agora, e porque falamos de igualdade, e a mãe?
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
mal sabe ele
Acontecia muitas vezes: despistava-se a contar um episódio, perdia a noção do tempo e do espaço, sempre preocupado com o rigor dos factos, cuidadoso com a sistemática da narrativa e, apercebendo-se de que monopolizava a conversa, embaraçado, arrependia-se e reagia, cortês, com bons modos, fazendo perguntas, como que atabalhoando desculpas. A forma mais ternurenta que ela encontrava para o censurar era colocar um ar artificialmente distraído e ligeiramente aborrecido. Mal sabe ele que foi num desses momentos de despiste que ela se apaixonou redondamente.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
O passado
"O passado, contudo, impiedoso no assalto, escolhe as horas em que o sente indefeso, as noites em branco, os momentos de derrota, e tortura-o com a visão detalhada do que não consegue esquecer. "
Mentiras e Diamantes, Rentes de Carvalho, p. 158.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
escrito por outros
Tinha por hábito escrever passagens do que lia num bloquinho. Estupidamente, eram raras as vezes que escrevia o autor, a obra, a página.
Aqui se lê:
"Alguns episódios da minha infância sobem esparsos da lembrança e tornados opacos pela emoção, um medo, uma vergonha. Outros, porém, levam-me tão completamente a recuar no tempo que quando os revivo me surpreende a nitidez dos seus detalhes, a vivacidade dos pensamentos, dos cheiros, o sentimento de novamente me sentir criança e frágil".
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