quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Jornal i #33 - Três conquistas para o feminismo numa semana
Ontem, para o jornal i:
1. A semana passada, esclarecendo atoardas e alguns incautos –
sobretudo os que não repararam no desnorte do PS pós seguro – Maria de Belém anunciou quando anunciará a
sua candidatura à Presidência da República. Imediatamente Manuel Alegre
versejou que já era tempo de uma mulher na Presidência. Belém deve ir para
Belém, não por ser competente mas, simplesmente, por ser Maria. Louvada seja
Maria. Será, dois séculos volvidos, a única Maria a representar a República
Portuguesa, depois de D. Maria I e D. Maria II.
2. Na mesma semana, os jornais ingleses davam nota de uma
ex-baterista de MIA, Kiran Gandhi, que decidiu libertar-se de (mais) uma
manifestação do opressivo patriarca: o tampão. Vai daí a senhora decide
percorrer a maratona Londrina desembaraçada da presença de um
absurdo “chumaço de algodão”. A experiência ficou registada no seu blog,
espirituosamente intitulado, “A Modern Period Piece” e numa fotografia visceral
final.
3. A excitação atingiu proporções colossais com o anúncio
da autorização da venda do primeiro viagra feminino nos EUA cuja atuação é,
naturalmente, diferente da do viagra masculino. Esse não foi, contudo, um
aspeto suficiente para travar a libido feminista. Quanto a mim, confesso
que sinto alguma vergonha alheia e muita curiosidade para saber qual seria a
reação de Donald Trump a 2 e 3.
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
terça-feira, 18 de agosto de 2015
#32 jornal i: David Foster Wallace chega ao cinema
Hoje, para o jornal i,
“I think
that if there is a sort of sadness for people under 45, that’s something to do
with pleasure and achievement and entertainment. Like a sort of emptiness at
the heart of what they thought it was going on”. Dou voltas e mais voltas a esta
frase de David Foster Wallace, esse perscrutador dos mistérios do humano, que
nos é apresentada no filme “The end of
the tour” (James Ponsoldt), sobre uma entrevista de cinco dias entre o
repórter da revista Rolling Stone, David Lipsky (Jesse Eisenberg) e aquele
aclamadíssimo escritor interpretado por Jason Segel.
Foster Wallace já não é dos fãs que o liam ou dos amigos que o
conheciam: passou a ser culturalmente de todos, num processo que – é mera
suposição, confesso – culminará com um resultado semelhante ao de Hitchcock,
que quase fez de todos, quando pronunciam o seu nome, “cinéfilos”, verdadeiros
espectadores apaixonados pelo “género”, um mestre do suspense conhecido por
todos, mesmo aqueles que nunca ouviram falar de “Rebecca” (1940) ou “Notorious”
(1946).
A história que o livro de Lipsky “Although of Course You End Up Becoming Yourself”, publicado em
2010, relata além de verídica é fascinante mas, o filme, parece ficar aquém. Há
desde logo o estilo “bromance”, que relata uma viagem de “bonding”, entre dois
homens, preenchida por momentos de partilha de M&M’s e o entoar de uma
música de Alanis Morissette. Mas o verdadeiro desafio de transformar o livro de
Lipsky num filme, abdicando do artifício da palavra escrita, passa não só pela
representação da solidão, crua e dura, que fulminou Foster Wallace, como também
pela representação de um homem que olhava tudo com olhos pensativos, que vêm
para além das coisas e das pessoas e parecem assustar-se. Um homem com qualquer
coisa a roê-lo por dentro, o que é um dom e um sofrimento, sem nunca estar
contente, sem se entregar, receando tudo aquilo que se passa em volta dele. Há
poucos atores capazes de interpretar este “tipo”, com a intensidade e
naturalidade apropriadas e não me parece que Marshall, de “How I Met Your Mother”, tenha sido uma escolha avisada.
domingo, 16 de agosto de 2015
perda de contornos
"O facto de as pessoas, mais ainda do que as coisas, perderem os seus contornos e alastrarem, sem forma, é a coisa que mais assustou Lina ao longo da sua vida."
Elena Ferrante, História do Novo Nome, p. 282
Elena Ferrante, História do Novo Nome, p. 282
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