quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
last year vs. next year
“For last year’s words belong to last year’s language
And next year’s words await another voice.
And to make an end is to make a beginning.”
And next year’s words await another voice.
And to make an end is to make a beginning.”
– T. S. Eliot, Little Gidding. (via The Dish)
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Jornal i #8 Segurança da liberdade
O meu texto de hoje para o jornal i:
No dia 11 de Setembro de 2001, o mundo perdeu parte da sua liberdade. Ou, melhor, a liberdade foi a grande derrotada do dia. O mesmo voltou a suceder na sequência do ataque em Paris.
Sempre que volta à baila o problema que opõe segurança a liberdade, a grande derrotada é esta última. É evidente que a necessidade de haver um reforço do controlo da circulação de pessoas exteriores ao espaço europeu limitaria a liberdade de circulação. Mas tempos de contaminação quotidiana pelo medo, sendo terreno fértil para seguidores de teses radicais, não me parecem convidativos à reflexão séria sobre estes temas.
Isto vem a propósito da reunião ocorrida em Bruxelas, com os ministros competentes dos Estados-membros, com vista a serem discutidas medidas contra o terrorismo. Não existe uma resposta fácil, mas há um debate que não deve deixar de ser realizado que é o da “segurança da liberdade”. Este debate é essencial para o modo de vida ocidental com reflexos, por exemplo, na privacidade e identidade de cada um e no acesso e utilização de informação pessoal por parte de diversas instituições. A solução não está entre optar por um em detrimento do outro, mas sim em encontrar um equilíbrio justo entre ambos, equilíbrio esse que garanta a segurança necessária para a vida colectiva com danos mínimos ao nível da protecção das liberdades individuais.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
tédio
"(...) pelo menos olhando para trás, a pergunta realmente interessante é por que razão o tédio demonstra ser um impedimento tão poderoso à atenção. Por que razão sentimos aversão pelo aborrecido. Se calhar, é porque o tédio é intrinsecamente doloroso; se calhar, é daí que vêm expressões como "mortalmente aborrecido" ou "excruciantemente aborrecido". Mas é possível que haja mais qualquer coisa. Se calhar, o tédio está associado à dor psíquica porque uma coisa que é aborrecida ou opaca não consegue fornecer estímulo suficiente para distrair as pessoas de outro tipo de dor mais profunda, que está lá sempre, ainda que a um nível ambiental baixo, e que a maioria de nós dedica quase todo o tempo e energia a tentar não sentir, ou pelo menos a não sentir diretamente ou com toda a atenção. (...) Não consigo imaginar que haja alguém que acredite realmente que a denominada "sociedade de informação" tenha a ver apenas com a informação. Toda a gente sabe que tem a ver com outra coisa qualquer, mais profunda."
David Foster Wallace, O Rei Pálido, p. 101.
sábado, 31 de janeiro de 2015
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
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