Withe bird n a blizzard (2014), Gregg Araki
quinta-feira, 11 de junho de 2015
terça-feira, 9 de junho de 2015
Jornal i#26 A ética do caracol
Hoje, para o jornal i:
"Bem, caro leitor, chegou a hora de debatermos os direitos dos frangos, dos porcos e das vacas (não vá alguém acusar-me de machismo animal…). Estou certa de que chegaremos aos piolhos e ao direito das alfaces de fazerem fotossíntese ad aeternum. Aliás, é inevitável, uma marca de progresso, diria mesmo, depois da campanha lançada a semana passada pela Associação Directa em defesa dos caracóis.
Além de inevitável, é lamentável. As raízes destas pretensões remontam a 1975 e a um livro de Peter Singer, “Animal Liberation”. A tese é simples: os animais são gente porque sentem dor. Bem, concordo que torturar animais é errado, ainda que grande parte da vida animal seja vivida sob tortura de alguns seres para que outros possam viver. Mas o grande mal deste grupo de “conscientes” é a incoerência. No limite, estas pessoas defendem que não se deve matar nenhuma forma de vida, esquecendo que a natureza é a maior destruidora de vidas desde sempre, sem pena dos fracos, dos oprimidos, dos bovinos e dos suínos. E não acredito que Singer proteja os acarozinhos, coitadinhos, quando anda a aspirar a sua casa.
Roger Scruton explica o happening num livro “Animal’s Rights and Wrongs”, com base na religião: o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, não acredita ser o ser superior da criação, por isso reconhece – do alto da sua superioridade, veja- -se – “direitos” e “dor” nos animais. Quanto a mim, a ideia de um discurso em torno dos direitos dos animais separado da pessoa humana parece-me uma tolice teórica."
sábado, 6 de junho de 2015
o grande vazio
diapasão, tão, mas tão genuíno, da dor e solidão que existe dentro de nós. É isso que Somewehere (2010), de Sofia Coppola é, ainda que hiperbolizado.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
selo
chegou ao espelho onde antes, ninguém, nem mesmo ela, se via.
e viu o tamanho do selo sobre o corte do seu peito
agora já disponível para amar.
e viu o tamanho do selo sobre o corte do seu peito
agora já disponível para amar.
terça-feira, 2 de junho de 2015
jornal i #25 O regresso da velha forma de fazer política
Hoje, para o jornal i:
Na semana em que um estudo revela a captura do Hospital Santa Maria por uma certa tendência religiosa, o primogénito do Dr. Marinho e Pinto é tomado de assalto por uma multidão alegadamente ligada a uma certa igreja. Há, porém, que sublinhar a diferença: não haja ilusões, Marinho e Pinto é o líder incontestável do PDR - o partido da ideologia “pimba” que pretende ser um case study sobre os limites da indefinição esquerda/direita - e nenhum ato formal, interno, pretensiosamente democrático, do partido mudará o seu status. O relato é glorioso: “dirigi-me à presidente da mesa e mandei suspender”, é assim que o Deus ex machina partidária Marinho e Pinto, regressado, triunfal, à pátria, vindo da Europa, explica o contra tempo. Ora, para quê ter um presidente da mesa se ele pode mandar no ato eleitoral? (honni soit qui mal y pense…)
Na semana em que um estudo revela a captura do Hospital Santa Maria por uma certa tendência religiosa, o primogénito do Dr. Marinho e Pinto é tomado de assalto por uma multidão alegadamente ligada a uma certa igreja. Há, porém, que sublinhar a diferença: não haja ilusões, Marinho e Pinto é o líder incontestável do PDR - o partido da ideologia “pimba” que pretende ser um case study sobre os limites da indefinição esquerda/direita - e nenhum ato formal, interno, pretensiosamente democrático, do partido mudará o seu status. O relato é glorioso: “dirigi-me à presidente da mesa e mandei suspender”, é assim que o Deus ex machina partidária Marinho e Pinto, regressado, triunfal, à pátria, vindo da Europa, explica o contra tempo. Ora, para quê ter um presidente da mesa se ele pode mandar no ato eleitoral? (honni soit qui mal y pense…)
Este
momento da história do PDR, essa sinistra invenção revivalista que nos lembra o
tirânico Costa - o Afonso, obviamente -, é uma demonstração de que, tal como os
gauleses de Goscinny, o nosso sistema partidário é incorrigível e o PDR,
afinal, não é verdadeiramente diferenciador: já andam todos às avessas e ainda
a procissão vai no adro. Este caso, em particular, reflete um clima
antidemocrático e um sentimento de hostilidade ao confronto. Para Marinho e
Pinto o adversário (no caso Alexandre Almeida) nem devia existir na pureza do
ato eleitoral. Para nossa infelicidade lusa, com democratas destes ninguém
precisa de ditadores.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
dupla real
Ao ler esta peça do Daily Beast sobre a personagem interpretada pela Dame Diana Rigg em Game of Thrones, lembrei-me de outra Dame com papel destacado noutra "série de culto", Maggie Smith em Downton Abbey. Curiosa a mesma postura matriarcal, serena e conspirativo-manipuladora destas duas cultoras da subtileza. O que dirá a gritaria feminista sobre a importância e a elegância destas duas figuras em tramas com graus ficcionais tão distintos, hein?
(esclarecimento: em questões destas eu não teria dúvidas e o meu voto iria, obviamente, para a Dowager Countess)
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