quinta-feira, 17 de setembro de 2020

a amizade também é feita disto:

telefonemas ocasionais, não muito longos, talvez uns 15 minutos se tanto, encaixados com algum esforço entre tarefas, em dias mais ocupados, mas que, com poucas palavras e sem grandes desabafos, são suficientes para amparar, com certeza e confiança, as decisões e responsabilidades da vida adulta.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

terça-feira, 30 de junho de 2020

Miramar

Eu não estou na fotografia que a minha prima Isabel partilhou na despedida da casa da minha avó (está ela, a Gami e o Zé), mas estou nestas bonitas palavras:

Como se diz adeus a uma casa? Como se diz adeus a Miramar? Não é como se diz adeus a uma pessoa. A casa estava lá antes, durante, e ficará para um depois. Por cada fenda há uma lágrima que foi caindo pelos dias maus e pelos que dela partiram. Por detrás do velho papel de parede descascado escondem-se risos, gritos e notas musicais. Os passos que acompanham o ranger da madeira antiga desvanecem-se entre sonhos e memórias perdidas. O jardim agora abandonado floresce em cores esbatidas pelo tempo, ainda assim o perfume sente-se com a mesma força. Flores, árvores e maresia, Miramar e a casa da minha avó sempre forma um privilégio dado como garantido de vivências sem preço. As árvores em sussurros secretos com a incessante Nortada, o riso sarcástico da minha avó ao longe, o comboio que não deixava dormir quem não lá pertencesse. Este Miramar, este nicho de paisagens, mar, cheiros e pessoas tao bonitas e únicas foi uma experiência maravilhosa que marcou a maior parte da minha existência e faz deste dia um dia tao doloroso. Já falei das árvores e do mar e dos cheiros e não há como não para de repeti-los dia após dia até que a memória cesse de os deixar sentir.

A casa está quase vazia. Foi a última vez que estivemos lá os 3 juntos.